Voltando... Será?



            É estranho voltar a escrever depois de tanto tempo parado. Quanto tempo se passou? Alguns meses? Parecem anos...
Aquele “algo” que fluía tão naturalmente da minha mente para os dedos e, por fim, para o editor de texto agora sai atravancado, como um córrego cheio de curvas, pedras e raízes que bloqueiam seu caminho. Por que? Por que parei de escrever?
Teve dias que achei que incorporava, pouco a pouco, a arte sublime do escritor. Tolice minha. Esse ofício, para ser praticado com a verdadeira maestria digna de sua estirpe, é exclusividade dos grandes gênios. Shakespeare, Victor Hugo, Machado de Assis, e um incontável número de escritores extraordinários: são eles que desvelam a verdadeira natureza das coisas, extraindo o sumo mais brilhante e especial que as palavras podem proporcionar. O mais difícil, contudo, é aceitar que não nascemos com a genialidade que acreditamos ter.
Será que fora arrogância minha acreditar que talvez eu pudesse sorver um pouco desse sumo e criar coisas belas também? Eu me sentia bem escrevendo - feliz. Sentia que uma nova janela havia se aberto com novas perspectivas de um mundo diferente. Acreditei que podia olhá-lo com os olhos de escritor, aqueles olhos que atravessam a casca e enxergam o cerne do universo. Entender o mundo com uma visão diferente e descrevê-lo com passagens e metáforas tão sublimes que levariam o leitor em uma viagem extraordinária por mundos nunca antes visitados, onde nenhum homem jamais esteve. Criar histórias belas, mesmo que tenham sofrimento e dor, mas belas de se ler, que seja um momento de extremo prazer para quem acompanha minhas singelas palavras. Mas, por outro lado, parece que tudo não passou de um sonho, de um devaneio, um lapso de loucura. Quem sou eu para criar algo como os grandes mestres? Nada.
Foi idiotice, então, escrever tudo o que escrevi? Quem sabe... Mas ainda me atenho à tola esperança, assim como os ébrios se agarram à sua bebida, de um dia alcançar o nível de escritor. É aquela mesma esperança que temos quando, ainda criança, de encontrar o Papai Noel, mesmo que nosso irmão ou primo mais velho insista em dizer que ele não existe, argumentando que não temos uma chaminé para que ele desça e entregue os presentes. Mesmo não tendo um irmão mais velho, a vida tomou-lhe o papel de abalar minhas crenças. Mas... “Escritor” – quem sabe um dia poderei colocar em meu perfil do Facebook que esse é o meu trabalho? O belíssimo trabalho de trazer à luz a essência das coisas que percorrem nossas vidas e que só se revelam ao suave toque da caneta de um escritor. Pois afinal, às vezes ainda posso acreditar em Papai Noel...

Comentários

Postagens mais visitadas