Um desabafo



            Amigo, antes de mais nada, peço-lhe perdão. Fiz você perder alguns segundos de sua vida feliz para abrir esse blog engolfado de desesperança. Aproveite agora! Saia! Saia daqui! Vá ler algo que exorte sua existência. O que está por vir é um desabafo de uma alma moribunda. É o estertor que transbordará desse peito repleto de aflições e de chagas. Chagas em face da natureza humana. Essa mesma natureza pérfida na qual estou inserido.
            Olhe a sua volta, eventual leitor que insiste em ler esse desabafo. O que vê? Espero que veja um lugar aconchegante, algum bichinho de estimação que ame ou alguém que incite em seu coração paroxismos de felicidade. Pois vejo-os agora. E sabe o que me dá mais raiva, amigo? Estou infeliz.
            Eu-estou-infeliz. Eu. Essa é a chaga da humanidade. Esse é o veneno da espada de Laertes, que também mata o seu usuário. O pronome “eu”. EU preciso ser feliz. EU preciso daquele automóvel. EU quero algo para ser MEU! MEU! Pronome oblíquo da primeira pessoa do singular. Quanta infelicidade já não causara no mundo? Palavra mais arrasadora que uma bomba atômica. Destruímos mais vidas que o nazismo (meu país!), com apenas três letras.
            Sabe o que é pior? Ensinamos aos nossos filhos esses dois pronomes hediondos! Ensinamos a desejar indiscriminadamente. Ensinamos a pôr a terra no centro do universo. Ensinamos que o “eu” é o primeiro pronome pessoal. Primeiro!
            Por isso os estoicos remexem-se em suas covas.
            Por isso remexo-me em minha cova.
            MINHA cova.

Comentários

  1. Mt bom kra!! tenho exatamente a mesma ideia q vc, continua com isso, poste mais criticas nesse estilo! EU acho maneiro... xD

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